Do Carnaval da Alegria à quaresma da
Tristeza ! No momento de em que comecei
a escrever este Haja Saúde, era
intenção minha falar-vos da alegria do
Carnaval da minha juventude, mas com
a noticia da tragédia que assolou a Ilha
da Madeira, veio-me à memória os momentos
difíceis que vivi aquando da tragédia que atingiu o
concelho da Povoação em 1986 e em 1996, mas foi em 1986,
que vivi o mesmo que hoje vive o povo das zonas afectadas na
Madeira, pelas fortes chuvas. Senti a morte, o isolamento e a
destruição à minha volta, ribeira louca, rezei pela minha vida e
por todos aqueles que se encontravam nas mesmas condições
do que eu, porque foi por um milagre que escapamos à morte,
talvez para poder relatar, compreender e respeitar a natureza,
dar valor à vida, escrever aquilo que vai na minha alma e
compreender o sofrimento que vivem agora os nossos irmãos
madeirenses, não morri mas deixou marcas profundas.
Nem sequer durou uma semana, da mais intensa alegria,
que a natureza tudo transformou, dos festejos do Carnaval, à
tragédia no arquipélago da Madeira. Ainda não haviam sido
guardados no guarda-roupa os mais variados e bonitos trajos
carnavalescos que desfilaram, pelas bonitas ruas da cidade
do Funchal, que no sábado seguinte, choveu de tal maneira
intensamente sobre a ilha, que as mesmas ruas foram invadidas
pela água que transbordou das ribeiras, levando consigo
tudo o que se deparou pela sua frente, destruindo e arrastando
consigo até ao mar muitas vidas e bens materiais. O Funchal,
Ribeira Brava e Curral das Feiras, foram as zonas mais atingidas,
fazendo dezenas de mortos, centenas de desaparecidos,
muitos feridos, famílias desalojadas e uma incalculável destruição
material. Não há palavras para descrever o sofrimento
que vive este povo.
A reconstrução é possível só as vidas perdidas é que não voltam
mais!
Por muitos anos que vivam nunca mais lhes sairá da memória
aquelas horríveis imagens!
A Natureza, tem este poder infinito de tudo transformar e ao
mesmo tempo, tudo renovar, dar luz ao dia, trevas à noite,
calor no Verão, frio no Inverno, flores na Primavera e ao ser
feminino a riqueza de gerar e dar à luz a um filho, sol para nos
aquecer e a lua para sonhar, o mar e a terra para nos sustentar.
Sorrisos quando estamos alegres, lágrimas quando estamos
tristes, alegria no nascimento e tristeza e luto na morte. Agora é tempo de chorar pelas vidas perdidas, e arregaçar as mangas
para reconstruir com ajuda de todos nós.
Mas o homem teimosamente ainda não entendeu a força da
lei da Natureza, que ninguém domina, nem a transforma.
Quando em alguns países já esta legalizada, e noutros estão
discutir a legitimidade da união e o casamento de homens com
homens, mulheres com mulheres, o direito ao aborto livre,
aonde está o respeito pelos princípios da criação do mundo?
Em que mundo estamos a viver? Enquanto na vida social
somos regidos por regulamentos, os humanos, querem alterar
as leis que a própria Natureza ditou no princípio da formação
do Universo.
Se formos ver as seguintes definições: Casal; conjunto de
macho e fêmea; marido e mulher. Casamento; acto ou efeito
de casar; contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente
que pretendem constituir família, mediante uma plena
comunhão de vida; situação que resulta do acto de casar. Acasalar;
reunir-se em casal para a procriação.
Mas afinal aonde querem chegar com todas estas alterações
aos princípios da lei da Natureza?
Um homem no verdadeiro sentido da palavra será sempre
homem e uma mulher sempre mulher, por mais que tentem
as mais variadas alterações corporais, um homem não poderá
gerar no seu ventre uma criança, nem uma mulher fecundar
uma outra mulher.
Quem sabe se a próxima etapa será a reivindicação para a
legalização de outras uniões, entre o ser humano e outras espécies?
Vamos todos ser solidários com os nossos irmãos madeirenses,
agora foram eles os atingidos pela desgraça, amanha só
Deus é que sabe !
Mario Carvalho |