Parabéns, Açoriano de corpo e alma
ou adoptivo, encantado pela beleza da
natureza das nove ilhas dos Açores e
pela simpatia das suas gentes.
Haja saúde O Açoriano por ter conseguido
ultrapassar todas as tempestades
e dificuldades, para manter-se presente
nas vossas vidas ao longo dos últimos três anos.
Com três anos tem pernas para andar, e muitas histórias para
vos contar, manter-se fiel às suas raízes, respeitando o rumo
traçado e servir o seu povo. É da raiz que nasce o bem e o
mal, é da raiz que se sustenta a
planta, é das suas origens que se
alimenta o ser humano.
No Outono muitos turistas vêem
de propósito apreciar este fenómeno
da natureza a beleza da cor
das folhas das arvores, dia após
dia vão alterando a cor e a mudança
de verde para o encarnado
depois amarelo e por fim caiem
ficando castanhas, servindo de
manto para aquecer a terra durante
o Inverno. Quando a arvore
está nua, já ninguém aprecia a
sua beleza e utilidade, alguns até
se dão ao prazer de se esconderem
atrás dos troncos.
A mesma arvore que deu a flor,
serviu de sombra nos dias quentes
de verão e que ao longo da
sua vida, enquanto as suas folhas
eram verdes e com a presença
da luz transformou o dióxido de
carbono em oxigeno, através da
sua importante função denominada
fotossíntese ou clorofilina,
sem oxigeno no ar o ser humano não pode viver. Mas a riqueza
da arvore reside na raiz naquilo que raramente se vê
a não ser que seja transplantada de um sítio para um outro e
mesmo assim não dá para ver tudo já que está sempre num
envelope de terra, é na raiz, é no terreno aonde está plantada
que reside a força, é ela que alimenta e segura a arvore de pé,
quando a raíz é fraca a árvore não resiste às rajadas de vento,
cai por terra e muitas vezes morre para sempre. É da planta
que nasce os rebentos, e não é forçosamente por serem filhos
de uma boa planta que serão bons também, tudo depende da
raíz e aonde ela for plantada e da luz que frequentar.
Nós seres humanos, somos como as arvores, as folhas verdes é quando temos saúde para poder trabalhar, as flores são
os nossos filhos, durante a sua infância e adolescência vão
se mantendo ligados aos pais, eles é que lhes protegem do
vento e da chuva, alimentam-lhes transmitindo os valores
que têm nas suas próprias raízes (origens), quando dá fruto
muitos ficam com nódoas para toda a vida, na maior parte
das vezes porque foram se deixando ficar manchados pelas
más influencias dos parasitas (droga, álcool, pedófilas, etc.)
que vivem à sua volta. Alguns conseguem recuperar voltando às suas raízes e vêm a ser boas plantas.
Nós, que nascemos em Portugal, viemos viver no estrangeiro
fomos transplantados numa outra terra, é nesta altura
que damos valor e conhecemos as nossas verdadeiras raízes,
temos de ser fortes e unidos para
poder continuar a crescer numa
terra que não é a nossa, num clima
diferente, outra cultura, língua
e tradições, outros ventos e
mares, outros povos, banhados
pelas mais variadas influencias
de valores morais bons e más.
A comunidade açoriana do
Quebeque está bem enraízada,
vive bem e consegue transmitir
aos seus filhos os seus valores,
respeito, dignidade, amizade e
bondade.
Mantêm o amor à sua terra de
origem, é orgulhosa da pátria que
o vi nascer e transmite tudo isto
aos seus filhos e netos.
Um dia destes, numa actividade
organizada por uma associação
da qual faço parte, havia muitos
jovens e crianças a ajudar a
preparar a sala e durante o serão
uma moça de 12 ou 13 anos, com
receio que ela não compreendeu,
as directivas que eu lhe estava a
dar, falei com ela em francês, ela
virou-se para mim e disse: “podes
falar em português comigo eu percebo e gosto muito de
a falar” fiquei comovido e senti que aquela rapariga, dê-me
uma lição de vida, se os nossos filhos não falam português
nem conhecem as nossas raízes, os culpados são os pais.
Os jovens Luso-Canadianos do Quebeque estão de parabéns.
Porque são eles que falam melhor português, basta ir a
Toronto ou aos Estados Unidos para ver e sentir que muitos
portugueses não falam a língua de Camões.
A árvore, depois de nua, mais ninguém olha para ela, o
mesmo acontece com os velhos. Depois de tudo terem dado
aos filhos e à sociedade que os rodeia ficam abandonados
debruçados no patamar da janela à espera do Inverno, mas
as suas raízes só morrem quando a àrvore caír. Haja Saúde
Açoriano de raiz, espero vos ver na festa do 3º aniversário,
no dia 16 de Novembro de 2008.
Haja Saúde e boa vindima.
Mario Carvalho |