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     Volume 4 - Nº1

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Haja Saúde
Açoriano de raiz

Parabéns, Açoriano de corpo e alma ou adoptivo, encantado pela beleza da natureza das nove ilhas dos Açores e pela simpatia das suas gentes.

Haja saúde O Açoriano por ter conseguido ultrapassar todas as tempestades e dificuldades, para manter-se presente nas vossas vidas ao longo dos últimos três anos. Com três anos tem pernas para andar, e muitas histórias para vos contar, manter-se fiel às suas raízes, respeitando o rumo traçado e servir o seu povo. É da raiz que nasce o bem e o mal, é da raiz que se sustenta a planta, é das suas origens que se alimenta o ser humano.

No Outono muitos turistas vêem de propósito apreciar este fenómeno da natureza a beleza da cor das folhas das arvores, dia após dia vão alterando a cor e a mudança de verde para o encarnado depois amarelo e por fim caiem ficando castanhas, servindo de manto para aquecer a terra durante o Inverno. Quando a arvore está nua, já ninguém aprecia a sua beleza e utilidade, alguns até se dão ao prazer de se esconderem atrás dos troncos.

A mesma arvore que deu a flor, serviu de sombra nos dias quentes de verão e que ao longo da sua vida, enquanto as suas folhas eram verdes e com a presença da luz transformou o dióxido de carbono em oxigeno, através da sua importante função denominada fotossíntese ou clorofilina, sem oxigeno no ar o ser humano não pode viver. Mas a riqueza da arvore reside na raiz naquilo que raramente se vê a não ser que seja transplantada de um sítio para um outro e mesmo assim não dá para ver tudo já que está sempre num envelope de terra, é na raiz, é no terreno aonde está plantada que reside a força, é ela que alimenta e segura a arvore de pé, quando a raíz é fraca a árvore não resiste às rajadas de vento, cai por terra e muitas vezes morre para sempre. É da planta que nasce os rebentos, e não é forçosamente por serem filhos de uma boa planta que serão bons também, tudo depende da raíz e aonde ela for plantada e da luz que frequentar.

Nós seres humanos, somos como as arvores, as folhas verdes é quando temos saúde para poder trabalhar, as flores são os nossos filhos, durante a sua infância e adolescência vão se mantendo ligados aos pais, eles é que lhes protegem do vento e da chuva, alimentam-lhes transmitindo os valores que têm nas suas próprias raízes (origens), quando dá fruto muitos ficam com nódoas para toda a vida, na maior parte das vezes porque foram se deixando ficar manchados pelas más influencias dos parasitas (droga, álcool, pedófilas, etc.) que vivem à sua volta. Alguns conseguem recuperar voltando às suas raízes e vêm a ser boas plantas.

Nós, que nascemos em Portugal, viemos viver no estrangeiro fomos transplantados numa outra terra, é nesta altura que damos valor e conhecemos as nossas verdadeiras raízes, temos de ser fortes e unidos para poder continuar a crescer numa terra que não é a nossa, num clima diferente, outra cultura, língua e tradições, outros ventos e mares, outros povos, banhados pelas mais variadas influencias de valores morais bons e más.

A comunidade açoriana do Quebeque está bem enraízada, vive bem e consegue transmitir aos seus filhos os seus valores, respeito, dignidade, amizade e
bondade. Mantêm o amor à sua terra de origem, é orgulhosa da pátria que o vi nascer e transmite tudo isto aos seus filhos e netos. Um dia destes, numa actividade organizada por uma associação da qual faço parte, havia muitos
jovens e crianças a ajudar a preparar a sala e durante o serão uma moça de 12 ou 13 anos, com receio que ela não compreendeu, as directivas que eu lhe estava a
dar, falei com ela em francês, ela virou-se para mim e disse: “podes falar em português comigo eu percebo e gosto muito de a falar” fiquei comovido e senti que aquela rapariga, dê-me uma lição de vida, se os nossos filhos não falam português nem conhecem as nossas raízes, os culpados são os pais.

Os jovens Luso-Canadianos do Quebeque estão de parabéns. Porque são eles que falam melhor português, basta ir a Toronto ou aos Estados Unidos para ver e sentir que muitos portugueses não falam a língua de Camões. A árvore, depois de nua, mais ninguém olha para ela, o mesmo acontece com os velhos. Depois de tudo terem dado aos filhos e à sociedade que os rodeia ficam abandonados
debruçados no patamar da janela à espera do Inverno, mas as suas raízes só morrem quando a àrvore caír. Haja Saúde Açoriano de raiz, espero vos ver na festa do 3º aniversário, no dia 16 de Novembro de 2008.

Haja Saúde e boa vindima.
Mario Carvalho

 

 
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